24 de out. de 2008

um brinde a mike stilkey


















installations e book sculptures por mike stilkey

pra bizoiá mais: http://www.mikestilkey.com/

23 de out. de 2008

Velharia. Pai e filha. Filhos. Chocolate e cupuaçu. Delícia. Palavras jorradas de poemas sonolentos. Pimenta. Canta o rádio vozes já esquecidas – memória. Lacrimeja o presente presença. Pequenos grandes parecidos erros nos goles do dia. Entendem nada alguéns. Importa não. Complacência de dedos refeitos. O finito. Cicatrizes no amor. O menino quer barriga. Mãe olha ela nele. Tempos outros. Esticar o tempo queria para sempre. O sempre da carne. Terno. Hora di bai. O ritmo da chuva nina o fim. Ainda a menina.
por marla donatoni

20 de out. de 2008


Direto de Uberlândia



Hospedado no inferninho
O sujeito reage bem
Ao cheiro de pequi
Impregnado nos lençóis
Lendo O Samurai Corporativo,
Vulgo
Pecuarista do ying yang.


"O mundo é rico

de inimigos".


No café da manhã
Sun Tzu apontou
O dedo indicador
Pra testa do discípulo
Usando o polegar
Como gatilho


Depois disse à recepcionista
"O seu chocolate
Está no frigobar"


& Sun Tzu disse:
"A buceta é a crise do liberalismo"


por daniel faria

19 de out. de 2008

saca a rolha

"meu tempo é quando."

hoje vinícius de moraes sopraria 95 velinhas!









palavra e música - parte I (1/2)
com josé miguel wisnik, arthur nestrovisk e paula morelenbaum.




palavra e música - parte II (1/4)
com josé miguel wisnik, arthur nestrovisk e paula morelenbaum.


palavra e música - parte II (2/2)
com josé miguel wisnik, arthur nestrovisk e paula morelenbaum.

18 de out. de 2008

Com os ventos

Talvez o grão do chão tenha a razão que falta para acabar o adobe da casa
Por se misturar com capim ou palha, vai ficar firme no lugar
Talvez o nome no trono
E o diamante
Não segurem por tamanho a alavanca de câmbio das recurvas do vento
Talvez o passatempo, o relento, o suor, o desenvolver
O sol do dia, a lua da noite te acordem por dormir e levantar
E segue sem adiar dispensar o que passou
O brilho do sol de amanhã
Trará as pilhas ou a entonação
Talvez
E compartilhe um bom dia
A bengala, a bermuda, o cabelinho lambido de lado
Qual a cara da sua idade?
Viva em novo recomeçar
Enquanto pode.

por césar viana

14 de out. de 2008

frON THE ROCKS antigos


Verso Satânico
- A culpa é de deus!!!
Verso Divino
- A culpa é do diabo!!!
Verso Humano
- E eu é que pago???

por marcus tulius morais
publicado em algum lugar do passado

11 de out. de 2008

um brinde a brian dettmer






















































book autopsies por brian dettmer.

9 de out. de 2008



























a adegardente aceita passagens aéreas para a frança. esperamos que alguém se sensibilize! trabalhos sem créditos pois não entendemos essa língua parente da nossa. e você por caso entende algum parente seu? nem depois de muita cachaça...

3 de out. de 2008

HAIKAI I
o vento balança
faça chuva, faça sol,
o filtro dos sonhos

por geórgia teixeira
da série haikais/haikus

1 de out. de 2008

safra rara

os perigos da literatura

Literatura, isto é, escrever sem publicar, é uma espécie de vício secreto. Pequena pervesão. Que nem colocar calçinhas de mulher. Seus praticantes estão sujeitos a muito mais. Olhai uns pares deles.

COMPLEXO DE CASTRO ALVES - Leva os poetas a delirar se imaginando numa tribuna em praça pública, cercado por um mar de povo, recebendo o brado do seu bardo, o verbo quente e a exortação para a ação. Os poetas afetados deste mal substituem a ação pela palavra.

COMPLEXO DE MACHADO DE ASSIS - Manisfesta-se em um desejo irreprimível de entrar para o Serviço Público. Levar vida reservada e tímida. Ter atitudes ambíguas sobre os problemas da comunidade. Esperar a glória, pacientemente. Alguns casos mais graves levam os pacientes a fundar academias.

COMPLEXO DE JORGE AMADO
- Leva os pacientes a escrever livros e mais livros, sofregamente, uns cada vez mais parecidos com os outros. Freqüentemente, vence pelo cansaço e acorda consagrado internacionalmente. Pertence ao quadro deste complexo sonhar com o Nobel. Alguns têm frenesis em que se imaginam traduzidos para 18 idiomas.

MAL DE ROSA
- Só faz vítimas entre membros do Corpo Diplomático.
O paciente imagina que é um jagunço do sertão.
Conta casos estranhos, numa linguagem meio antiga e meio sertaneja.
E diz em entrevistas na Europa:
_ Nós, do sertão...

SÍNDROME DE BORGES
- O escritor-paciente imagina-se dentro de um livro, atacado por citações, vidas de outros séculos. Para o paciente afetado desta moléstia, o céu não tem estrelas. Tem asteriscos.
Ocorre de o paciente, andando em círculos, tropeçar numa vírgula, engolir o parágrafo e bater com a cabeça num travessão.
Devem ser constantemente vigiados.
Se não melhorarem, o jeito é encardená-los e doá-los a uma Biblioteca Pública.

MAL DE DRUMMOND
- Apenas uma variante do Complexo de Machado de Assis.
O doente pode apresentar dores abdominais.
Bem na altura de Minas Gerais no mapa do Brasil.
A seguir, os delírios.
O paciente grita:
_ Tirem essa pedra do meio do meu caminho!

ATAQUE A JOÃO ANTÔNIO
- Os acometidos desse mal crêem-se jogadores de sinuca, malandros da noite e velhos boêmios. Alguns tentam se parecer com Adoniram Barbosa. Quando alguém disser "literatura é um corpo-a-corpo com a vida", esteja certo: ali está alguém sofrendo do Mal de João Antônio. Vivem normalmente de uma dieta de Górki e Lima Barreto. O melhor modo de curá-los é convidá-los para uma partida de sinuca.

PARALISIA CABRALINA
- Súbito enrijecimento do nervo poético, causado por leituras intensivas da obra de João Cabral de Mello Neto. O cabra da peste acometido desse mal começa a ver tudo em quadrinhos e a só reconhecer rimas toantes. Nos casos mais graves, desenvolve pedras nos rins, na bexiga, e na veia. Apresenta tendências para a litogravura, a marmoraria, ou coleciona cristais. Tem o coração de pedra, e só se comove com agrestes, caatingas e canaviais pernambucanos. Normamelnte, leva uma vida e morte severina.


por paulo leminski
do livro ensaios e anseios crípticos

23 de set. de 2008

frON THE ROCKS antigos

Nossa poesia eh descartável, desdentada, alienada e analfabeta funcional. Eh lixo. Como qualquer subproduto do sistema, pode ser reciclada e transformada em outros produtos, poluir rios, nascentes, lençóis freáticos, ilustrar rótulos de garrafas, marcas de cerveja, ser distribuída em sinais de trânsito, vir como encarte de jornal de domingo, em caixas de leite, ou na sua marca de cigarro preferida, um banner no seu provedor de e-mail, o atendimento automatizado da sua operadora de telefonia (que nunca atende). Não temos serviço a la carte, só selveserve. Coma a vontade por apenas R$1,99 com direito a um bife.


por alê, talisman e ricardim.

n
primeira safra da série:
poesia descartável


A cada dez poesias
Uma eh totalmente grátis
Não percam essa oferta.

Poecard o seu cartão
De infidelidade.
Smile !


Acima do Bem e do Mal
Está o céu.
Acima do céu
Está a lua.
Acima da lua
Estão as estrelas.
Acima das estrelas
Está o universo.
Acima do universo
Está Deus.
Acima de Deus
Está a cobertura. ( tem até piscina )



Chegou o caminhão da poesia
Traz a bacia minha senhora.
Só um real deiz poesia
Não precisa empurrar
Tem pra todo mundo.


Para adolescentes da média classe

Minha empregada eh melhor
Que minha mãe
Faz o rango e não enche o saco!

Qualquer caixa eletrônico eh melhor
Que meu pai
Dá o dinheiro e não pergunta pra quê!

Qualquer site pornô eh melhor
Que minha namorada
Gozo sem camisinha nem cineminha!

Só um minutinho porque meu celular
Está tocando
TCHAU



Eu não tenho mãe
Eu não tenho pai
Queria pedir a ajuda
Do senhor e da senhora
Pra comprar aroiz e
Feijãos para ajudar
Meus irmão.
Aceito vale transporte
Obrigado.


Quem pegar essa poesia
Deve fazer treiz copia
E distribuir para
Ter dinheiro e sorte
São Cosme e Damião


101100101

0100010100100001011
0111010001001001001
0000010001111000010
1000101010001110111
010000000111111000



Tapioca x Cornflakes

A trajetória da mandioca
subversiva contra o
imperialismo do milho transgênico



SENAC
(Serviço Nacional de Apredizagem Comercial)

Certifica

Que Alessandro Brito Carvalho
participou do curso de vendedor
com 75 horas.

CURRÍCULO

· O comércio como atividade econômica
· Organização da empresa
·Etapas de venda
·Conhecimento do produto
· Motivadores de venda
· Técnicas de abordagem
· Motivos de compra
· Técnica de demonstração
· Objeções na venda
· Técnicas para realizar vendas adicionais
· Relações humanas para vendedores



Não utilize esta poesia
Para outros fins
Proibida a leitura
Reprodução e radiodifusão
De qualquer poesia acima
Sem a prévia autorização do Autor.

Obs. : Sujeito a penalidades
Previstas em lei
Cod. Penal Lei n 3.676
Art. 27


por alê carvalho

19 de set. de 2008

saca a rolha

tá com o saco cheio de tentar prender a atenção de seus alunos nas aulas de literatura??? corra pro www.livroclip.com.br/

15 de set. de 2008

safra rara

Censura

A censura de cinema chegou a uma espécie de apoteose do ridículo no Brasil quando liberou, finalmente, o filme A Laranja Mecânica, de Stanley Kubrick, sem cortes mas com bolinhas. Sim, nas cenas de nu, ou de nus, bolinhas pretas tapavam as partes pudentas. O pundonor nacional foi resguardado, mas ali, ali. Não fizeram um bom trabalho. Posso imaginar os retocadores do filme no laboratório, numa corrida contra a data do lançamento. Obrigados não apenas a caprichar na bolinha como a acertar sempre no, digamos assim, alvo.
-Você deixou passar um. Ou uma, no caso.
- Deixa ver. Mas isso não é.
- Como não é? Claro que é.
- Tem certeza?
- Eu conheço uma parte pudenta quando vejo, meu caro. Bolinha nela.
E havia a questão do movimento. Muitas vezes, no filme, as partes pudentas não ficavam num lugar só. Tinham que acompanhar a ação dramática e locomoviam-se. A bolinha preta era obrigada a correr atrás e muitas vezes não chegava a tempo. Por alguns segundos uma parte pudenta ficava assim como o Júnior quando avança, sem cobertura e a moral da Nação desguarnecida. Tenho a impressão que foi o fracasso das bolinhas pretas que determinou a liberação da censura. Houve uma espécie de catárse pelo absurdo. Hoje todo o Brasil pode ver os filmes que o filho do ministro vê. A censura limita-se a classificar o filme para esta ou para aquela faixa de idade. Mas não tem como escapar do ridículo. Também dá a justificativa para a classificação e a justificativa vai impressa no certificado de censura e é usada na propaganda do filme. Por exemplo:
Cenas de sexo.
Cenas de sexo explícito.
Linguagem sugestiva.
Cenas de tensão.
Violência moderada. Etc. As frases não só estragam um pouco a expectativa do espectador - como aqueles famosos títulos de filmes em Portugal, que revelavam o final, Foi o Mordomo, ou Morrem Todos Menos o Petz - como ficam cada vez mais minuciosas. Em breve teremos no certificado descrições detalhadas do que nos espera e do que ocasionou a censura.
Tensão moderada, linguagem chula e olhares ambíguos.
Sugestão de homossexualismo, bestialismo moderado, referências ao modelo econômico.
Glutonismo nojento e risível, dois palavrões, esguicho de sangue no fim.
Orgia, com anões besuntados, cena de descarga aberta, indução ao cinismo.
Pode-se imaginar o que diriam os certificados de censura de algumas obras famosas.
Cinderela: cenas de revolta social e fetichismo com pé.
A Paixão de Cristo: cenas de violência e inconformismo político etc.
Os Irmãos Karamazov: cenas de epilepsia explícita, parricídio moderado.
Pinóquio: simbolismo lúbrico.
Oliver Twist: cenas de insubmissão, indução ao crime, anti-semitismo.
Branca de Neve e os Sete Anões: cenas de desagregação familiar, violência, tensão moderada, sugestão de sexo grupal, morbidez, necrofilia.
Novo Dicionário da Língua Portuguesa: linguagem chula.
A Bíblia: cenas de sexo, cenas de violência, cenas de tensão, incesto, crítica de costumes, luta de classes, parricídio, matricídio, fatricídio, infanticídio, genocídio, idolatria, indução à subversão, linguagem sugestiva, sodomia, onamismo, adultério, ocultismo, tortura, curandeirismo, prevaricação, latrocínio, indução à vadiagem, messianismo.
Tom e Jerry: cenas de nudez, cenas de violência e extrema tensão.
O Minotauro: sugestão de bestialismo.
Chapéuzinho Vermelho: cenas de violência, cenas de tensão, travestismo.
Mas, enfim, tudo é preferível às bolinhas pretas.

por luis fernando veríssimo
publicado na Folha de S. Paulo em 09/01/1982

10 de set. de 2008

bafômetro


bafão registrado por adelina rezende em algum arte na praça

8 de set. de 2008

saca a rolha

JAMBOLADA 2008
divirtam-se ao extremo...




www.jambolada.com.br - programação, nutiças, uns treim misturado lá, etcétera...

7 de set. de 2008

safra rara

RELAX

Aquele monstro que se chamou Champollion descansava de seus estudos de egiptologia escrevendo uma gramática chinesa.
Porém nós outros, os relativamente normais, que haveremos de fazer?
Palavras cruzadas?
No entanto, o perigo das palavras cruzadas é nos inocularem às vezes, para todo o sempre, os mais estapafúrdios conhecimentos. Por exemplo, há duas semanas sou sabedor de que "rajaputro" significa "nobre do Hindustão, dedicado à milícia". Espero, o quanto antes, esquecer tal barbaridade.
O que importa é substituir as preocupações pela ocupação.
Quanto ao exercício da poesia, nem falar! Qualquer poeta sabe como dói, mas como é preciso virar a alma pelo avesso para fazer um verdadeiro poema - salvo se você for um poeta concretista, porque, na verdade, não há nada mais abstrato que um poema concreto.
Pois bem, falando em coisas sérias, o problema, seu poeta, é ocupar o espírito sem ao mesmo tempo estraçalhá-lo.
E problemas assim - puros problemas - só mesmo os problemas matemáticos. Já o velho Pinel recomendava o estudo das ciências exatas como preservativo dos distúrbios mentais.
A matemática é o pensamento sem dor.
Mas infelizmente sucede que a matemática ainda é pior do que chinês para nós, que, nesta altura da vida, só não esquecemos as quatro operações e, quando muito, a regra de três e também a teoria dos arranjos, permutações e combinações - tão útil no jogo do bicho.
Que resta, então?
Oh! como é que não me lembrei disso antes?! Resta-nos uma passatempo esquecido: o delicioso vício da leitura.

por mário quintana publicado na Folha de S. Paulo em 01/05/77

3 de set. de 2008

frON THE ROCKS antigos


folhas mortas

ensopadas pela chuva
sapatos no jardim
meia dúzia de gatos pingados


por rodrigo basi
publicado em algum lugar do passado

31 de ago. de 2008

saca a rolha




quase um alcoólatra por wander wildner

29 de ago. de 2008

Desabrochar

Hoje sou flor, desabrocho, me mostro.
Sinto-me como um botão que acabou de nascer.
Mas amanhã posso ser capim, pura braquearia.
Sem reação permito que algum animal me coma.
E depois viro merda.
Mas não deixo de ser natureza, em constante mutação.


por graziela zocal

27 de ago. de 2008

safra rara

O último a sair apague a luz

Fazia tempo que eles cercavam minha casa. Eu sabia quem eram. Hoje, pegaram coragem e tocaram a campainha.
Fui atender, eram dois daqueles missionários engravatadinhos dessas seitas norte-americanas que andam aí pelo Brasil, recolhendo almas como quem compra peles de jacaré e jaguatirica.
Lembrei de uma vez quando meu pai estava no portão de casa e chegaram dois desses apóstolos. Um deles estendeu a revista da sua seita, meu pai apanhou-a, e leu a manchete da capa:
"Você sabe como se vai para o inferno?"
Meu pai leu e apontou para uma rua logo abaixo da nossa:
- Olha, vocês pegam aquela rua, e seguem em frente...
Os missionários pareciam dois manequins de vitrine, o terninho e a gravata impecáveis, a maletinha na mão, o cabelo recruta, aquela cara de vendedor de apólices de seguro.
Fui recebê-los no portão e perguntei, assim como quem não quer nada:
- Em que posso servi-los?
- Gostaríamos de conversar com o senhor durante uma meia hora.
- Para quê, posso saber?
Nessa hora, passava um sorveteiro assobiando para despertar as crianças do bairro.
- É sobre a salvação da sua alma.
- Por que é que não disseram logo? Entrem, por favor. Recebi-os na sala, onde sentaram com suas almas e maletas nos joelhos.
Eu trouxe uma cerveja, uma dose de uísque e uma carteira de cigarro.
- Somos da igreja das não-sei-o-que-o-que-lá - disse o mais bem-falante. - O senhor já deve ter ouvido falar.
- Quem sabe? - eu respondi. - Eu ouço falar de muita coisa. O duro é guardar tudo.
O missionário ia abrir a maleta para me inundar de folhetos, quando eu ponderei:
- Esperem um pouco. Se entendi bem, vocês vão tentar me converter. Eu também quero converter vocês. Então, vamos fazer o seguinte. Eu dou 15 minutos pra vocês tentarem me converter. Daí, vocês me dão 15 minutos para eu tentar converter vocês.
Quem teria palavras para descrever a perplexidade que tomou conta dos apóstolos? O mais bem-falante tomou a iniciativa:
- Temo que o senhor não esteja entendendo. Trata-se da sua alma.
- Estou entendendo muito bem. Trata-se da alma de vocês também.
- Viemos para que o senhor entregue sua alma a Cristo Jesus Nosso.
- Não levem a mal, mas não vejo nenhuma necessidade. Eu e Jesus sempre nos demos muito bem. Conheço ele há tempos. E tenho certeza de que ele não tem nenhum interesse em minha alma. Ela está toda esburacada, sofreu vários incêndios, e eu vou precisar dela à hora que eu morrer.
- Mas Jesus habita a nossa Igreja.
- Engraçado, eu falei com ele ainda ontem e ele não me falou nada de vocês. É um contrato recente?
O apóstolo instalou a cara mais imbecil de que foi capaz naquela conjuntura. Levantou-se. O outro levantou-se. Dei um gole na cerveja.
- Nossa Igreja deseja que a luz do Senhor Jesus ilumine esta casa.
- Isso porque não é ela quem paga a conta da luz. - respondi juntando o que ainda me restava de sombra.

por paulo leminski publicado na Folha de S. Paulo em 1/5/1985

25 de ago. de 2008

FAÇO UM
DIVIDO EM DOIS
UM AGORA
E OUTRO DEPOIS

por ricardim.

24 de ago. de 2008

saca a rolha

paulo leminski hoje sopraria 64 velinhas e com certeza ainda acreditaria em poesia.


"Literatura" é uma das coisas mais frágeis deste planeta. Por isso, nas bibliotecas, existe, sempre, uma placa, exigindo: SILÊNCIO, como nos hospitais.

do livro ensaios e anseios crípticos

23 de ago. de 2008


são poucas as coisas que deixam seu encantamento. vivo de coisas perecíveis. como com os olhos, mastigo rápido, um defeito meu. guardo nada pra depois. bom mesmo é sangue quente. meu tempo corre contra a validade. um pé após o outro. arrivederci! não acredito em pecados. não invento fardos. o caminhar é leve pra quem voa sem pensar.

sou cruel com as pessoas e fiel aos meus instintos. nem faço gesto de desculpa e muito menos sinto culpa. e assim por outros ângulos sou um palhaço de piadas mal amadas, sem aplausos, sem nada. mas abro a janela, olho pro céu e sei que sou um astro. levanto meus braços tentando alcançar o infinito. o infinito é que me encanta! não tem data pra expirar. então continuo minhas ultrapassagens, meus atropelamentos e por isso faço da morte a última placa a ser lida, a estrada mais dolorida que tenho que pegar. amémprocêtamém!


por geórgia teixeira

20 de ago. de 2008

frON THE ROCKS antigos






















por eraldo fábio araújo
publicado em algum lugar do passado

18 de ago. de 2008

um dia o ar estava mais espesso
a água mais gelada
a vida mais gostosa
o sentido nada fazia
a prudência, do nariz meleca arrancava
fazia bolinha e jogava na careca do juízo...


por marcus tulius morais

17 de ago. de 2008

saca a rolha

é doce morrer no mar nas ondas verdes do mar


nunca mais por dorival caymmi

11 de ago. de 2008

HAIKAI II


começo da noite
batatas doces em flor
pelo Titicaca


da série haikais/haikus por geórgia teixeira e cristiana boaventura.

10 de ago. de 2008

frON THE ROCKS antigos




por cláudio alberto.
publicado em algum lugar do passado.

8 de ago. de 2008

ou sum som


destruo, faço
instinto fácil
faço um traço
traço uma face

desface o falso
desfaz-se no vento
sento no tempo
ou sum som

céu é blue
verso é nu
instante é cru
ausência é blur



do livro dúzia por dori otoni

4 de ago. de 2008

meia volta, volver!

¡hay que volver, sin perder la ternura! ¡jamás!
fomos querendo voltar e cá estamos porque poetar é nosso lar.

se tu poetas
estamos de portas abertas
poesia
prosa
são como a aorta
pulsam idéias
transportam palavras
oxigenam a imaginação